22/Jan/15

Teoria e Prática: A Engenharia de Produção como fonte de vantagem competitiva das empresas brasileiras

No amplo contexto de aplicação dos sistemas, métodos, princípios e técnicas que constituem o bojo da disciplina da Engenharia de Produção, alguns debates centrais se fazem necessários da ótica das firmas/empresas brasileiras.

  

Inicialmente, é preciso constatar que várias abordagens conceituais e metodológicas são adotadas. De outra parte, existe uma tendência por parte de um conjunto de profissionais e empresas de consultoria, para que cada uma das teorias/abordagem adotadas seja visualizada por seus respectivos defensores enquanto “a única e melhor forma” de tratar o tema da produtividade e da competitividade. Do nosso ponto de vista, este tipo de argumentação encontra-se alinhada ao velho bordão Taylorista “da única e melhor forma de realizar uma dada atividade”. Metaforicamente, parece possível afirmar que existe um conjunto variado e plural de “igrejas” associadas à Engenharia de Produção, todas elas muito úteis, é verdade, que defendem  entre outras abordagens: I) O Sistema Toyota de Produção/Produção Enxuta, posteriormente chamado de Lean Production; II) a Teoria das Restrições; III) o Modelo Six Sigma; IV) a Gestão da Qualidade Total (TQC) e seus diversos desdobramentos; V) a Manutenção Produtiva Total (TPM); VI) o Sistema Hyundai de Produção/Sistema de Produção Modular; VII) Reengenharia de Processos de Negócios, entre outras.

 

 

 

Deste prisma, o ponto central, à luz das empresas que se propõem a adotar estas “novas abordagens para a produção – New Approach to Operation” – parece estar em escolher, segundo critérios técnicos e de gestão a serem definidos, qual deve ser o caminho a ser construído. Daí, algumas questões iniciais podem e devem ser lançadas:

 

Seria esta, a “melhor forma de pensar” o problema, como diria Shingeo Shingo (1996)?

 

  Uma opção exclusiva por uma determinada abordagem seria a única e melhor saída no sentido da “Engenharia de Produção Lucrativa (Moreku)” como propõe Taiichi Ohno (1997)?

 

A utilização de uma ótica exclusiva atenderia os postulados econômico-financeiros sugeridos por Goldratt (1995): ganhar dinheiro hoje e no futuro, através da adoção dos indicadores globais (Lucro Líquido, Retorno Sobre o Investimento e Caixa) e dos indicadores operacionais (Ganho, Inventário e Despesas Operacionais)?

 

Existiram soluções universais, provenientes de uma única Teoria/Sistema que seja capaz de apontar o caminho da produtividade e da competitividade para toda e qualquer empresa/firma? 

 

Respostas objetivas, claras e simples para estes questionamentos são essenciais para o projeto e operacionalização de sistemas de gestão da produção nas empresas brasileiras. A “trajetória tecnológica” de produto e processo em conjunto com o desenvolvimento dos seus sistemas produtivos, levando em consideração a realidade específica de cada empresa, são elementos prioritários para alcançar significativos ganhos de produtividade. Estes elementos associados à Engenharia de Produção, alinhados com outros fatores ligados a marketing, finanças, engenharia, recursos humanos e demais funções de gestão, irão permitir (ou não) as empresas/firmas alcançarem uma competitividade sustentável no longo prazo.

  

É precisamente a partir destas constatações, oriundas do mundo real e do desenvolvimento ao longo do tempo de diferentes teorias e tecnologias de gestão, que a Produttare vem trabalhando há 20 anos na busca de respostas teóricas e práticas para auxiliar a busca da competitividade das empresas brasileiras.

 

Nossas respostas às questões formuladas apontam, sem sombra de dúvida, para saídas pluralistas. Em outras palavras, é necessário desenvolver uma ampla “comunhão de todas as igrejas envolvidas”. A noção a ser perseguida em cada caso é conceber projetos dos sistemas produtivos observando os valores positivos das diferentes “crenças e ideias” em jogo, utilizando com simplicidade o conjunto de melhores teorias e práticas disponíveis. Nossas reflexões, bem como nossas aplicações práticas (sempre planejadas e operacionalizadas de forma coordenada com as empresas, que são os verdadeiros laboratórios da Engenharia de Produção) consideram, em primeiríssimo plano, a busca da “construção interna” de sistemas de produção autônomos, observando a realidade dos sistemas produtivos, bem como as necessidades competitivas de cada uma das empresas.

 

A ideia consiste em enfrentar a competitividade, cada vez mais acirrada, tendo como um de seus ativos principais os sistemas de produção. Em outras palavras, como defendeu Skinner (1969), considerado merecidamente o “pai da disciplina da Estratégia de Produção”, perceber e construir as operações (produção) a partir de uma postura proativa, enquanto uma arma competitiva.

 

 

 

Para que se torne exequível e prática a construção de sistemas de produção autônomos e proativos, os princípios gerais a seguir necessitam ser considerados pelas empresas:

 

O sistema de produção deve ser pensado de forma endógena, ou seja, concebido a partir do conhecimento existente na empresa (o que inclui considerar todas as tecnologias de gestão da produção já utilizadas, pensando sempre em como alinhar estas perspectivas na busca de uma sinergia entre as mesmas);

 

É essencial que os profissionais das empresas (em particular a Direção) sejam expostos, a medida da necessidade e das possibilidades, a todos os melhores conceitos das Teorias/Sistemas existentes: Sistema Toyota de Produção, Lean Production, Sistema Hyundai de Produção, Teoria das Restrições, Six Sigma, Estratégia de Produção, Manutenção Produtiva Total (TPM), Gestão da Qualidade Total (TQC), Engenharia de Processos de Negócios, entre outras;

 

Sejam projetados sistemas de produção que, processualmente, possam ir incorporando, segundo critérios a serem definidos, as teorias, sistemas, métodos, técnicas e ferramentas adequadas para dar robustez às ações práticas cotidianas das empresas;

 

Pensar em utilizar, harmônica e simultaneamente, os elementos mais adequados, práticos e simples das diversas abordagens disponíveis na “prateleira de soluções” existentes no mercado;

 

Desenvolver métodos de gestão próprios, ou seja, passos lógicos para a estruturação, identificação, análise e solução de problemas, que possam servir para desenvolver soluções práticas que aumentem o ganho da empresa e, simultaneamente, eliminem as perdas nos seus sistemas produtivos. Cabe destacar que, desenvolvidos convenientemente estes métodos, eles passarão a se constituir em importante ativo de conhecimento da empresa e, portanto, muito difícil de serem copiados pelos concorrentes.

 

Enfim, esperamos que estas reflexões iniciais, que são o lançamento de um conjunto sistemático de artigos — que serão escritos e colocados à disposição em nosso site, periodicamente,  possam contribuir para um debate aberto e direto a respeito dos temas associados à Engenharia de Produção e a Competitividade no país.

Desde logo, gostaríamos de esclarecer aos nossos leitores que vários temas serão aqui tratados pelos nossos profissionais, a partir da perspectiva de ação da Produttare, pois acreditamos que o debate franco, direto e aberto das ideias, típicos de sociedades realmente democráticas, tende a facilitar enormemente a geração de soluções verdadeiramente consistentes para aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

  

 

Diretoria da Produttare Consultoria

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