A importância da eficiência na definição do gargalo

Teoria das Restrições · 2020-08-10 · Produttare

Junico Antunes explica por que o IROG, nas versões TEEP ou OEE, é decisivo para identificar corretamente o gargalo a partir da relação entre capacidade e demanda.

Junico Antunes, sócio-fundador da Produttare, esclarece a importância da relação entre a eficiência das máquinas, medida pelo Índice de Rendimento Operacional Global (IROG), nas suas versões TEEP ou OEE, e a determinação do gargalo em fluxos de produção.

A Teoria das Restrições preconiza que, dentro de um processo produtivo, é necessário identificar o equipamento gargalo, explorá-lo da melhor forma possível e subordinar os demais equipamentos a ele, a fim de elevar a produtividade do processo como um todo.

Contudo, muitas empresas têm dificuldade em determinar seu gargalo. A seguir, mostramos a importância e a influência do IROG na determinação do gargalo.

Para calcular a eficiência dos recursos da sua empresa, veja o artigo OEE: o que é e como calcular.

Equívocos na determinação do gargalo

Junico apresenta o caso de uma célula de produção, na qual foi definido equivocadamente o seu gargalo. A célula era composta por torno, brochadeira e outras máquinas. Com o objetivo de estabelecer a produção máxima da célula, a equipe buscou identificar o seu gargalo.

Tinha-se a ideia de que o gargalo era a operação mais lenta da célula, tendo-se, consequentemente, definido a brochadeira como sendo o gargalo da mesma, haja vista ter o maior tempo de ciclo. Era esperado pois, que em fluxo normal e sem controle, um estoque viesse a se formar antes da brochadeira, o que na prática não ocorria.

Para solucionar o problema, a equipe investigou se os tempos de processamento dos produtos estavam corretos. Como os tempos estavam corretos, a equipe teve que voltar à teoria e analisar o que estava divergente entre a teoria e a prática.

O que devemos fazer quando temos divergência entre teoria e prática?

Quando se encontra divergências entre a teoria e a prática, Junico sugere que seja revisada a teoria. No caso da célula mencionada, a equipe analisou a teoria a luz do Mecanismo da Função Produção. Segundo este, a Função Produção é constituída de dois eixos de análise: o eixo da Função Processo e o eixo da Função Operação.

A Função Processo compreende o fluxo físico de matérias-primas e materiais ao longo do tempo e do espaço, e está relacionada com a demanda de mercado. Já a Função Operação compreende as pessoas e máquinas ou equipamentos, que se posicionam de forma transversal ao processo, e que estão relacionados com a capacidade de produção. A capacidade, portanto, depende da eficiência das máquinas e equipamentos, ou da produtividade das pessoas.

A partir deste entendimento, a equipe analisou a relação entre a capacidade real disponível de cada máquina da célula, levando em conta as eficiências (OEE) das mesmas, frente à demanda, e percebeu que estava errada. O gargalo não era a operação mais lenta, uma vez que sua eficiência era elevada, relativamente à outra máquina do fluxo que, embora com tempo de ciclo menor, possuía um histórico de perdas que reduzia sua eficiência numa proporção maior.

Analisando a relação Capacidade x Demanda para determinação do gargalo

A capacidade de uma máquina é obtida pelo tempo disponível para produção multiplicado pela sua eficiência operacional. Por exemplo, se a empresa trabalha em um turno de 8h e a eficiência da máquina é de 50%, a capacidade real de agregação de valor do equipamento é de apenas 4h. Ou seja, durante 4 horas ela agrega valor e no restante do tempo ela não é útil por conta das perdas.

Já a demanda é o somatório do tempo de ciclo de cada tipo de produto naquela máquina (sem concessões, porque as perdas já estão no OEE), multiplicado pela quantidade a produzir.

A revisão da literatura e o entendimento do Mecanismo da Função Produção fez a equipe entender que o gargalo é equipamento no qual a capacidade de produção REAL é menor que a demanda. E, que embora a máquina tenha grande disponibilidade para produzir, se tiver uma baixa eficiência operacional, sua capacidade efetiva de produção será menor, podendo ser determinante para a máxima quantidade de um processo. Inversamente, se um equipamento tiver baixa disponibilidade para produzir, mas uma alta eficiência operacional, sua capacidade poderá não ser restritiva.

Recomendamos a leitura do capítulo 07, sobre capacidade versus demanda, do Livro Uma Revolução na Produtividade, escrito por Junico Antunes, Altair Klippel, André Seidel e Marcelo Klippel. Nele, é tratado com detalhes como construir a análise de capacidade versus demanda e todos os elementos de gestão derivados desta análise.

Entendendo a importância da eficiência na determinação do gargalo

Em síntese, são quatro os elementos que ajudam a determinar o gargalo:

  • tempo total de produção da máquina;
  • eficiência operacional;
  • capacidade da máquina;
  • demanda.

Ao construir uma planilha para análise da capacidade versus demanda, onde os quatro elementos estão presentes, é possível determinar o gargalo cientificamente. O gargalo será o equipamento em que a Demanda mais supera a Capacidade REAL, isto é, aquele com o maior déficit de capacidade. Se nenhum recurso tiver déficit, o mais carregado (com a menor folga) é o que vai restringir primeiro quando a demanda subir.

Conclui-se que o Índice de Rendimento Operacional Global (IROG) corretamente medido e analisado é fundamental para a relação entre a capacidade versus demanda e a determinação do gargalo.

É importante destacar que a eficiência global dos equipamentos é um elemento de mensuração primordial, uma vez que, a partir dela, pode-se definir um conjunto enorme de questões tais como a melhor utilização do ativos, a gestão da capacidade versus demanda, a análise de custos e de ganhos, as ações para a Gestão Produtiva Total (Total Productive Management -TPM), entre outros.

Soluções: Produtividade e Eficiência, PCP

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