Auditoria da gestão do posto de trabalho no posto de trabalho
Produtividade · 2022-08-03 · Produttare
Como auditar um posto de trabalho monitorado pela GPT com uma planilha adaptada de Nakajima, organizada pelos índices do IROG e pelos tipos de perda de cada um.
No artigo Capacidade de produção: calculando o IROG, abordamos a metodologia de Gestão Lucrativa dos Postos de Trabalho – GPT, metodologia que possibilita o cálculo da eficiência operacional de um sistema de produção através do indicador de desempenho denominado Índice de Rendimento Operacional Global – IROG, que, como comentamos, deve ser analisado de acordo com duas abordagens conforme o posto de trabalho que está sendo analisado: i) o posto de trabalho é uma restrição do sistema de produção, sendo denominado Total Effective Equipment Productivity – TEEP, utilizando-se, para seu cálculo, o tempo calendário; ii) o posto de trabalho é uma não restrição do sistema de produção, sendo denominado Overall Equipment Efficiency – OEE, utilizando-se para seu cálculo, o tempo programado, obtido pela diferença entre o tempo calendário e o tempo das paradas programadas.
No artigo Auditoria da gestão do posto de trabalho na organização, sugerimos a realização de auditorias periódicas visando avaliar a consolidação da metodologia GPT na organização como um todo, visto que a cultura dos conceitos da Teoria das Restrições – TOC e do Sistema Toyota de Produção – STP, a partir dos quais a GPT foi desenvolvida, deve estar disseminada amplamente entre todos os colaboradores. Neste texto iremos abordar a realização de auditorias periódicas em um determinado posto de trabalho, visando analisar o quanto a metodologia GPT está implementada nele. Para tanto, utilizamos uma planilha adaptada de Seiichi Nakajima, do livro TPM Development Program: Implementing Total Productive Maintenance (Productivity Press, 1989, p. 32), cujos itens resumimos a seguir.
Conforme se observa, a planilha está formatada em função dos índices do IROG, quais sejam, Índice de Disponibilidade (µ1); Índice de Desempenho (µ2) e Índice de Qualidade (µ3), índices estes relacionados com tipos de perdas específicas de cada um.
Cada tipo de perda contém um conjunto de questões, pontuadas de 1 a 4, com o objetivo de verificar, no momento da auditoria, qual é a situação do posto de trabalho monitorado em relação a implantação da metodologia GPT, conforme os exemplos apresentados na sequência.
Vida útil do equipamento, relacionada a perda por quebra, vinculada ao µ 1, com a seguinte pontuação: (1) vida útil do equipamento não é conhecida; (2) vida útil das peças do equipamento é estimada; (3) vida útil dos equipamentos é prolongada e (4) vida útil das peças do equipamento é previsível.
Setup, relacionada a perda por setup e ajustes, vinculada ao µ 1, com a seguinte pontuação: (1) sem controle com setup realizado pelos operadores sem conhecimento dos conceitos de SMED (Troca Rápida de Ferramentas); (2) atividades de setup organizadas; (3) transferindo atividades internas de setup para atividades de setup externo e (4) tempo de setup menor do que 10 minutos.
Velocidade, relacionada a perda por queda de velocidade, vinculada ao µ 2, com a seguinte pontuação: (1) não existe velocidade padrão (por produto ou por equipamento); (2) padrões de velocidade provisórios definidos e mantido por produto; (3) velocidade definida por produto. Relação de causa e efeito prevista entre o problema e a precisão do equipamento, dispositivo e ferramentas e (4) padrões de velocidade definitivos e definidos e mantidos por produto.
Pequenas paradas, relacionada a perda por pequenas paradas e operação em vazio, vinculada ao µ 2, com a seguinte pontuação: (1) perdas por pequenas paradas não conhecidas; (2) perdas por pequenas paradas analisadas quantitativamente (frequência e localização da ocorrência e produção perdida); (3) todas as causas de pequenas paradas analisadas, todas as soluções implementadas, condições favoráveis; (4) não existem pequenas paradas (possível existência de operações não identificadas).
Qualidade, relacionada a perda por falta de qualidade e retrabalho, vinculada ao µ 3, com a seguinte pontuação: (1) problemas crônicos de qualidade são negligenciados; (2) problemas crônicos de qualidade estão quantificados (detalhes do defeito, frequência e produção perdida); (3) todas as causas de problemas crônicos de qualidade analisadas, todas as melhorias implementadas, condições favoráveis e (4) perda por qualidade entre 0,1% e 0%.
O somatório das pontuações é comparado com a pontuação máxima de 48 pontos, obtendo-se o percentual de implantação do indicador de desempenho IROG no posto de trabalho monitorado.
A partir da elaboração de um gráfico radar, em cujos raios é mostrada a pontuação média de cada um dos cinco tipos de perdas constantes na planilha, define-se o percentual de implantação dos conceitos do IROG, com base na situação atual do posto de trabalho monitorado, a saber: i) IROG não implantado; ii) IROG implantado; iii) IROG implantado, podendo melhorar e iv) IROG implantado a nível de excelência.
Analisando-se este gráfico, pode-se, na sequência, definir metas a atingir em um determinado período para cada um dos tipos de perdas. Sugere-se que as auditorias periódicas no posto de trabalho sejam realizadas a cada três meses no primeiro ano e, nos anos seguintes, semestralmente.
Soluções: Produtividade e Eficiência