Sistema de Produção Próprio com STP, TOC e TPM: o caso CCGL

Cliente: CCGL, cooperativa central agroindustrial · Setor: Agrocooperativismo

Soluções: Sistema de Produção e Operações, Manutenção/TPM, Logística

Resultados em números

  • −20% custo do frete com o agendamento de cargas nos terminais
  • 1 ano tempo de pesquisa com a plataforma digital (antes 7 anos)

Características do caso

Cooperativa Central Gaúcha Ltda., uma das maiores cooperativas do Brasil, com 71.000 associados ligados por meio das cooperativas singulares e presença em mais de 350 municípios do Rio Grande do Sul · Unidade de tecnologia: centro de pesquisa desde a década de 1970 (fitopatologia, entomologia, plantas daninhas, fertilidade do solo, pecuária leiteira) · Unidade de logística: terminais portuários Termasa e Tergrasa, em Rio Grande, responsáveis por cerca de 77% da exportação de grãos do estado; o Termasa foi o primeiro terminal graneleiro do Brasil · Unidade de laticínios: fábrica em Cruz Alta, com cerca de 90% da produção em leite em pó

Desafio

Cada unidade de negócio tem uma natureza diferente, e nenhum modelo pronto atendia a todas. Nos terminais, o interior enviava muito mais caminhões do que a capacidade de recebimento de cerca de 600 por dia, gerando filas de dias, frete mais caro e baixa qualidade de vida para os caminhoneiros. No laticínio, uma fábrica moderna, com equipamentos de várias origens, ainda não entregava os resultados esperados, e a robotização da paletização trazia o risco de travar toda a linha em caso de falha.

Objetivo

Construir o jeito próprio de produzir da CCGL, combinando os modelos que melhor se aplicam a cada unidade · Estabilizar o fluxo de entrada de cargas nos terminais e ampliar a capacidade de recebimento · Extrair o máximo dos ativos do laticínio com TPM · Formar equipes capazes de sustentar o sistema por conta própria

Metodologia

A CCGL descreve seu sistema de produção como um quebra-cabeça: em vez de adotar um modelo único, combina TQC, Sistema Toyota de Produção, Teoria das Restrições (TOC) e TPM conforme a necessidade de cada unidade, construindo o conhecimento junto com a equipe, com a Produttare e outros parceiros. Na holding, o programa de metas e melhoria contínua segue a linha do TQC.

  • Terminais portuários: com lógica de kanban, a carga passou a ser puxada do interior por agendamento, chegando no momento e na quantidade necessários para o carregamento do navio. Depois, com a TOC, o gargalo foi sendo deslocado etapa por etapa: três novas portarias (cerca de R$ 120 mil), quatro novos pontos de amostragem (cerca de R$ 800 mil), tombadores (cerca de R$ 2 milhões) e armazenagem, até levar a restrição ao píer, o ponto de maior investimento. Mais recentemente, o TPM passou a gerir postos de trabalho e equipamentos.
  • Laticínio: TPM iniciado em 2018 com a Produttare, a partir de uma capacitação forte da equipe e de uma máquina piloto, replicado depois para toda a fábrica; a TOC também foi aplicada à movimentação de produtos acabados.
  • Pesquisa: além das estações experimentais, uma plataforma digital, também desenvolvida em conjunto com a Produttare, reúne dados de produtores e talhões para acelerar a pesquisa agronômica.

Neste vídeo, Guillermo Dawson Júnior, CEO da CCGL e dos terminais portuários Termasa e Tergrasa, apresenta o case no 15º Fórum Produttare de Competitividade (2023).

Resultados qualitativos

  • O agendamento de cargas nos terminais trouxe redução de 20% no custo do frete e, segundo o apresentador, hoje praticamente todas as empresas do setor no Brasil operam com agendamento.
  • A aplicação da TOC ampliou a capacidade de recebimento de caminhões nos terminais além dos 600 por dia, com investimentos baixos nas primeiras etapas; o gargalo atual está no píer, cujo investimento (da ordem de R$ 1 bilhão) é buscado junto aos governos federal e estadual.
  • No laticínio, após cinco anos de TPM, toda a fábrica opera com TPM como filosofia de gestão da produção; nas palavras do apresentador, a empresa "tirou uma fábrica nova de dentro da fábrica". Quem resistia no início hoje é adepto, e o trabalho é conduzido pela própria equipe.
  • A plataforma digital reúne cerca de 11.000 produtores e 25.000 talhões; pesquisas que levavam sete anos passam a levar um ano. Dos produtores que a utilizam, 74% têm menos de 100 hectares.

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